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PostHeaderIcon Sem posições fixas, Andrade Azevedo aposta em áreas que privilegiam o trabalho colaborativo na nova sede da Cummins em Guarulhos

Por Simone Sayegh Fotos Otávio Almeida

Edição 241 - Abril/2014

Se à primeira vista a impressão é a de entrar em um escritório comum, um olhar mais atento revela algumas coisas fora de lugar na nova sede da norte-americana Cummins em Guarulhos. Se a visita for feita em momentos diferentes do dia, a sensação se torna ainda mais real. Isso porque a grande inovação do projeto, assinado pela Andrade Azevedo Arquitetura Corporativa, está em duas características: mobilidade e flexibilidade. Conceitos que permitem arranjo e rearranjo total do escritório de acordo com a necessidade dos funcionários.

Isso é possível porque o layout foi desenvolvido prevendo os vários momentos de trabalho do dia. “As pessoas não ficam mais sentadas em um lugar oito horas seguidas. Elas circulam, têm reuniões, momentos de colaboração, seja em espaços formais e informais. E é isso que buscamos criar na Cummins espaços que permitam essa mobilidade”, afirma Marcos Azevedo, autor do projeto ao lado de Claudia Andrade.

Para chegar a essa proposta inovadora de uso dos espaços, os arquitetos fizeram um trabalho minucioso, que ao longo de oito meses contou com entrevistas qualitativas com os funcionários, estudo de plantas, levantamento de benchmark e muita observação no local.

O resultado é um escritório mais dinâmico: de acordo com Marcos, 40% da área do escritório foi projetada para o trabalho colaborativo, mais do que o dobro do que a empresa usava anteriormente, algo entre 10% e 12%. “Houve um reequilíbrio dos espaços, porque o papel deles mudou. Se antes eram destinados quase majoritariamente ao trabalho individual, hoje o trabalho é mais colaborativo. Essa transformação ocorre na arquitetura, porque já ocorreu na maneira de as pessoas atuarem dentro das empresas”, acrescenta o arquiteto.

Como o projeto está sendo implantado no antigo prédio da empresa, o edifício de três andares e 2.737 m² está passando por um retrofit em fases. Dessa forma, o primeiro pavimento remodelado passou a ser visto como um escritório-piloto, que tem dado subsídios para a continuidade da obra.

Em uso desde o ano 2013, 130 pessoas já puderam experimentar o novo escritório. “Como é totalmente diferente do anterior, foi preciso aprender a usá-lo. Há uma dinâmica de uso que não existia. Mas o que percebemos é que, se a primeira semana é de estranhamento e de pico de utilização dos espaços, depois tudo entra no ritmo normal.”

Para Marcos, há uma quebra de paradigma para a indústria. “A Cummins é um setor mais conservador, de produção de máquinas pesadas. Mas o que vemos lá é mais arrojado que muito escritório que está sendo construído hoje.” SEM LOCAL FIXO A primeira grande mudança é com relação às estações de trabalho. Apesar de a empresa estar dividida por áreas, não existem mais postos fixos. Com exceção de posições em que as pessoas passam praticamente o dia todo sentadas, ou quando há limitações de acessibilidade ou de dimensão de equipamentos, como hardwares, a proposta é que as pessoas se organizem de acordo com suas necessidades. “Uma área, por exemplo, pode ter dez pessoas e apenas oito postos convencionais”, explica Marcos. Por isso, além dos espaços colaborativos – formais e informais -, há também 28 salas para trabalhos individuais.

O arquiteto destaca ainda os “quite spaces”, são salas sem telefone, em que os funcionários podem se isolar para trabalhar concentrados, sem interferência externa. Da mesma forma, o projeto tem dois tipos de postos de trabalho: em bancadas planas e em mesas a 125º. Tudo dimensionado para que os colaboradores trabalhem de maneira adequada. O programa inclui ainda espaços de relaxamento e generosas áreas de café nos três pavimentos.

De acordo com o arquiteto, o escritório-piloto demonstrou que esses espaços são muito bem recebidos pelos funcionários, que vão em busca de relaxamento para continuar o trabalho. “As salas pequenas de reuniões e os espaços informais de reunião também são muito utilizados. Tudo o que dá condição adequada de trabalho e certa privacidade acústica e visual – mesmo que parcial – tem grande utilização. As pessoas se saem bem nesses espaços informais.”

Coincidentemente, a matriz da Cummins estava em fase de se reorganizar quando a Andrade Azevedo fazia a releitura do escritório em São Paulo e o projeto brasileiro foi apresentado aos americanos. “Tivemos a grata surpresa de perceber que estávamos na mesma direção. O que fortaleceu o que era desenvolvido aqui”, finaliza Marcos.

DADOS DA OBRA

CLIENTE Cummins
LOCAL Guarulhos, SP
ÁREA 2.737 m²

FICHA TÉCNICA

ARQUITETURA Andrade Azevedo Arquitetura Corporativa
AUTORES Claudia Andrade e Marcos Azevedo
COORDENAÇÃO GERAL DE PLANEJAMENTO Alessandra Galeazi
COORDENAÇÃO GERAL DE PROJETO Anete Liberman
EQUIPE Alessandra Castro, Aline Magalhães, Caio Báos, Fabrício Mendrot, Felipe Bazani, Fernanda Mothé (coordenação), Gabriella Pustiglione, Gustavo Engel, Ieda Beraldo, Juliana Miranda, Letícia Esposito, Lucianne Martins, Marion Scalzaretto e Natalia Precioso
HIDRÁULICA, ELÉTRICA E LUMINOTÉCNICA Lumix Engenharia e Arquitetura
AR-CONDICIONADO BHP Ar Condicionado
CONSTRUTORA Engnove Construção
GERENCIAMENTO DE PROJETO Concremat Soluções Integradas de Engenharia

FORNECEDORES

DIVISÓRIAS Abatex
CADEIRAS Giroflex-Forma
MOBILIÁRIO Giroflex-Forma e Escriba
PISO PORCELANATO Portinari
LUMINÁRIAS Luminárias Projeto
FORRO Knauf AMF
PERSIANAS Hunter Douglas
CARPETE Shaw

Fonte: Revista aU

PostHeaderIcon Livro: O Escritório no Século XXI por Cláudia Andrade.

Sinopse:

Se entendermos que hoje o trabalho em escritório está cada vez mais de base intelectual; que com a tecnologia da informação disponível não há mais a dependência do espaço físico e que a dinâmica do trabalho mudou, não faz mais sentido pensar o ambiente físico da forma como ele foi pensado até então.

As diversas atividades realizadas ao longo do dia exigem espaços diferenciados, com condições de conforto (entende-se aqui iluminação, ergonomia, acústica e térmica) e requerimentos funcionais e estéticos específicos, tal qual  nas nossas residências onde os espaços são dimensionados, mobiliados e dotados de soluções de conforto  e salubridade de acordo com o seu uso.

Os conceitos de escritório não territoriais evoluíram, neste sentido e a chegada no mercado de trabalho da nova geração de jovens – denominada geração Y – irrequietos, multi-tarefas e com pleno domínio da tecnologia, gera as condições propicias para que o espaço de trabalho ganhe uma nova dimensão.

A obra proposta pela  arquiteta Dra. Claudia Andrade pretende dar uma continuidade ao livro de sua autoria “A evolução dos ambientes de trabalho em edifícios de escritórios: um século de transformações” publicado em 2007 de modo a difundir e socializar os resultados de suas pesquisas realizadas tanto em caráter acadêmico quanto profissional.

Para exemplificar, são apresentados oito projetos desenvolvidos pelo escritório Andrade Azevedo Arquitetura Corporativa, que refletem esse novo modelo de se pensar o ambiente de trabalho no século XXI, são eles em ordem cronológica: Philips, Stiefel, a GSK Company, AES Brasil, Oracle, Cummins, EDP, Syngenta e Unilever.

Editora C4, 2013.

Edição Bilíngue: (Português/Inglês)
Formato: 23 x 27 cm
Capa dura
176 páginas
ISBN: 978-85-99353-37-0

Para adquirir seu exemplar, acesse: www.editorac4.com.br/livro/72

PostHeaderIcon Em qualquer lugar, a qualquer hora: o futuro do trabalho é flexível.

Conheça o Agile Working, a aposta da Unilever para diminuir espaço de escritório e viagens de negócios, aumentar a produtividade e incentivar um desempenho focado nos resultados.

A transformação do ambiente de trabalho é aparente para os novos colaboradores da Unilever desde o momento em que eles chegam na sede da empresa. Em vez de serem levados para um departamento ou uma mesa, eles podem escolher onde e quando trabalhar, desde que este se adapte às exigências do papel e do estilo de trabalho de sua equipe. Este é o primeiro contato com o Agile Working, estratégia projetada para diminuir espaço de escritório e viagens de negócios, aumentar a produtividade e incentivar uma abordagem de gestão em que o desempenho foca nos resultados, em vez de horas trabalhadas.

Implantado em outras sedes da Unilever como Nova Jersey e Cingapura, o modelo exige, naturalmente, uma abordagem integrada e extremamente planificada, implicando a definição rigorosa de um novo modelo integrado de organização do trabalho e de um Programa de “Change Management” sério e estruturado. Há algum tempo, a companhia aqui no Brasil percebeu que precisava expandir e cortar custos, mas sempre seguindo o conceito de sustentabilidade da empresa. O primeiro passo para conquistar este objetivo, segundo o diretor de Workplace Services, Sergio Lima, foi fazer uma análise do uso dos

espaços dentro da empresa. “Percebemos que algumas salas de reuniões, por exemplo, não estavam sendo utilizadas como deveriam. Isso acontecia com muitos outros lugares”, explica.

Seguindo o novo conceito de trabalho, parte da estratégia global da empresa para aumentar a mobilidade e a gestão dos colaboradores, com foco em produtividade, Lima deu início ao Agile Working, em que os colaboradores podem trabalhar onde quiserem, desde que o seu trabalho seja feito! “Ao introduzirmos um ambiente de trabalho Agile na Unilever Brasil, procuramos, entre outros aspectos, criar mais oportunidades para os colaboradores, principalmente mulheres jovens, com filhos, pessoas com restrições físicas, pessoas que vivem longe das instalações da empresa etc., permitindo-lhes ter mais flexibilidade para atender às suas necessidades pessoais, sem que isso prejudique a eficácia de seu trabalho”.

“Os locais de trabalho foram pensados para o futuro. Não dá para fazer um projeto sem enxergar cinco, dez anos à frente, porque a empresa não vai, daqui a um ano, mudar tudo novamente.”

O Agile Working muda a ênfase do tempo e do atendimento a metas e objetivos específicos, criando um conceito independente do local de trabalho. “A ideia era realmente transformar a nossa cultura de trabalho”, comenta Lima. Para isso, a empresa teve que contar com a ajuda de todos, principalmente da área de tecnologia, facilitando a conexão local e global. “Não foi fácil mudar a maneira das pessoas pensarem. Todos estão acostumados a ter a sua mesa, a sua cadeira e, com essa mudança, não existe mais isso. Criamos espaços funcionais e dinâmicos. Hoje você pode sentar ali, amanhã você pode trabalhar em casa, no outro dia sentar em outro local, enfim, isso é uma tendência”, afirma o executivo.

“Removemos o que chamamos de ‘barreiras artificiais’ para a produtividade, para ajudá-los não só a ser melhores no seu trabalho, mas também ter uma melhor qualidade de vida”, completa. O projeto realizado pela Andrade Azevedo Arquitetura Corporativa ficou sob a responsabilidade de Marcos Azevedo e Claudia Andrade, e durou aproximadamente nove meses. Cerca de 400 terceiros trabalharam no escritório com índice zero de acidentes. “Implantar algo novo não é simplesmente mudar o mobiliário, é preciso entender os conceitos, entender a cultura da empresa, seus objetivos estratégicos: como o RH está lidando com as futuras gerações; a questão da mobilidade; se o departamento de tecnologia dispõe de recursos para suportar a mobilidade e, principalmente, de facilities, pois nós vamos criar um ambiente em que o facility vai ter que gerenciar nos próximos anos”, afirma o arquiteto.

Os Ambientes

A agilidade incorporada ao método Agile Working significa tornar o espaço mais dinâmico, versátil, eficiente – o que na prática resultou em dividi-lo em Focus Zone (longa permanência) – 40%; Connect (conectividade, interação) – 50%; Vitality (regeneração para

o dia a dia intenso) – 10%. “Existem áreas para se concentrar e trabalhar de forma independente, em seguida os funcionários podem se deslocar para áreas onde eles possam se conectar e colaborar com os colegas. Há também áreas de vitalidade com salas de descompressão, cozinhas e cafés”, disse em entrevista a executiva de RH da Unilever, Fiona C. Laird. Com essa nova divisão, os colaboradores têm diferentes áreas de trabalho para cada necessidade. “Ao invés de construir os nossos escritórios em torno das pessoas, construímos os nossos escritórios em torno de atividades. Por exemplo, no Focus Zone, os funcionários podem escolher várias estações de trabalho individuais, dispostas em ‘estilo café’, ou seja, os usuários vão e vêm, e não há nenhuma propriedade”, explica Lima.

Os ambientes, com designers modernos, arrojados e coloridos refletem perfeitamente o novo conceito. “Os locais de trabalho foram pensados para o futuro. Não dá para fazer um projeto sem enxergar cinco, dez anos à frente, porque a empresa não vai, daqui a um ano, mudar tudo novamente. Se eu fizer um projeto que não tenha essa flexibilidade, que não veja o ingresso das novas gerações no ambiente de trabalho, que não trate a questão da mobilidade, esse projeto vai nascer velho”, pontua Azevedo.

Com uma redução de 24% da área ocupada (prédio antigo para prédio novo), e com a premissa de reaproveitar os recursos existentes, os custos do projeto foram recuperados em pouco mais de um ano. “Tivemos reaproveitamento integral dos recursos/mobiliários. Reaproveitamos estações de trabalho, cadeiras, sofás, vidros, divisórias. Isso mostra que podemos mudar o conceito da empresa e reaproveitar o máximo possível às instalações existentes. E isso vai exatamente ao encontro do conceito de sustentabilidade da Unilever, pois não estamos gerando lixo, não estamos desperdiçando recursos existentes. Projeto bom não é projeto caro, projeto bom é projeto inteligente”, ressalta Claudia Andrade.

Foco nos resultados

Vários desafios surgiram na aplicação do Agile, muitos centrados na maneira cultural de encarar o ambiente de trabalho tradicional. “Para que a implantação do projeto tivesse êxito, foi fundamental contar com o comprometimento do alto escalão; ter um time multifuncional trabalhando junto desde o início (Gerência de Projeto, RH, Financeiro, Compras); Change Management robusto e contínuo; ter uma comunicação clara e direta, e ministrar constantes treinamentos com enfoque, principalmente, no aspecto comportamental”, ressalta o diretor de Workplace Services. “Ao dar às pessoas a liberdade em torno de como e onde eles trabalham, estamos criando uma cultura focada no desempenho e resultados, em vez de tempo e frequência”, completa.

Apesar de todos os obstáculos, o Agile Working na Unilever Brasil é um sucesso e os números comprovam: houve um aumento de 17,5% de pessoas remanejadas, totalizando 270 colaboradores; aumento também de 15% no total de seats: 338; e elevação de 8,3% de áreas para trabalhos colaborativos. “É verdade que um projeto deste tipo envolve um esforço significativo de todos em curto prazo, mas os benefícios, para empresa e colaboradores, serão seguramente bem maiores e visíveis, em médio e longo prazo”, acredita Lima.

Benefícios de sustentabilidade

Com menos viagens e locais de trabalho projetados de forma mais eficiente, o Agile Working também está ajudando a Unilever beneficiar o meio ambiente. Em 2011, por exemplo, a tecnologia de Telepresença (videoconferência) evitou 38.202 voos curtos e longos e 113.507 toneladas de dióxido de carbono. Não só é bom para o ambiente, também é ótimo para os colaboradores que não têm que se deslocar tanto. Como resultado, o negócio economizou €39,5 milhões em custos de viagem, o equivalente a R$ 107 milhões.

Ao projetar os locais de trabalho em torno de atividades que necessitam de menos espaço, é possível fazer poupanças ambientais de até 40% em energia e dióxido de carbono. Além disso, o material de obra como parede de gesso, teto, madeira, etc. foi 90% reciclado e cinco toneladas de material foram para descarte e descaracterização. “Os pilares da Unilever estão baseados nas nossas marcas, nas nossas operações e nas nossas pessoas. Todas as ações que nós tomamos tem que estar alinhadas com a sustentabilidade”, conclui Lima.

Fonte: Revista Infra, ano 15, nº156 – Agosto 2013.

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Uma das mais tradicionais empresas de engenharia, consultoria e gerenciamento de projetos de celulose e papel do mundo, a Pöyry vê espaço para entrada em operação de todas as novas fábricas de celulose anunciadas para o Brasil até o fim da década. Haveria ainda condições de mercado para mais dois empreendimentos entre 2021 e 2025, na avaliação do diretor de negócios da Pöyry Tecnologia, Marcel Moreno. “Hoje tem espaço para todo mundo”, afirmou.

PostHeaderIcon Pensando o ambiente de trabalho para 2020.

Workplace – Especial Worktech 2013 | por Léa Lobo

Para inovar, é necessário que as pessoas e as empresas evoluam e se adaptem às mudanças advindas da tecnologia associada à unidade coletiva das ideias e do conhecimento. Só assim o profissional poderá trabalhar onde desejar, com mais satisfação, produtividade e menor custo de operação.

Instigante para quem gerencia Facilities, Real Estate, Pessoas e Tecnologia, a Worktech foi realizada pela primeira vez na América Latina. São Paulo ganhou o status de sediar a conferência nos dias 8 e 9 de maio, igualando-se a Londres, Nova Iorque, São Francisco e Singapura. O encontro, organizado por Caroline Sino, diretora da Unwired, é dedicado a líderes envolvidos com o futuro dos ambientes de trabalho.

Assuntos de ponta nortearam o evento, a exemplo do método Agile Working, adotado pela Unilever. Diretor de Workplace Services, Sergio Lima apresentou o novo conceito de trabalho, parte da estratégia global da empresa para aumentar a mobilidade e a gestão dos colaboradores, com foco em produtividade. Ao lado do arquiteto Marcos Azevedo, do escritório Andrade Azevedo, Lima mostrou que hoje o profissional Unilever decide onde trabalhar e performar, e que os espaços são adequados para atender a essa demanda.

A ideia é proporcionar maior qualidade de vida, despertar talentos e melhorar a performance considerando a diversidade e as tendências globalizadas, sem perder o foco da redução de custos no curto prazo. O case mostrou as diversas análises de alternativas de otimização dos espaços em uso.

No case da Unilever, as vantagens foram:

• Redução de 24% da área: prédio antigo para prédio novo

• Aumento de 17,5% de pessoas, totalizando 270 colaboradores

• Aumento de 15% no total de seats: 338

• Aumento de 8,3% de áreas para trabalhos colaborativos

• Reaproveitamento integral dos recursos/mobiliários.

“Existem áreas para se conectar e trabalhar de forma independente; em seguida os funcionários podem se deslocar para onde eles possam se conectar e colaborar com os colegas. Há também áreas de vitalidade com salas de descompressão, cozinhas e cafés”, já definiu Fiona C. Laird, executiva de RH da empresa, uma das maiores de bens de consumo do mundo.

Gestão da Mudança

Para Marcos Azevedo, é preciso entender os conceitos. Implantar algo novo não é simplesmente mudar o mobiliário. A agilidade incorporada ao método Agile Working significa tornar o espaço mais dinâmico, versátil, eficiente – o que na prática resultou em dividi-lo em Focus Zone (longa permanência) – 40%; Connect (conectividade, interação) – 50%; Vitality (regeneração para o dia a dia intenso) – 10%.

Jose Luis Sanchez-Concha, diretor da 3G Office, falou da importância de destinar tempo e planejamento à gestão da mudança (change management in the workplace). Programas de trabalho flexíveis ou ágeis visam melhorar a produtividade e o equilíbrio trabalho-vida das pessoas, juntamente com a capacidade de adaptarem-se rapidamente a um espaço físico, que atenda as múltiplas mudanças do negócio. No entanto, é na aplicação do conceito onde estão os principais obstáculos.

O ser humano é complexo e cada um se comporta de forma única diante do novo. As questões culturais falam mais alto, e é exatamente aí que precisa entrar a estratégia global de gestão, para que o processo de mudança seja o mais natural e tranquilo possível. De acordo com Concha, o objetivo do programa é minimizar o impacto das diferentes reações da resistência individual, que passa por perfis daqueles que se negam a aceitar a mudança. Apesar de encontrar um grupo que aceita prontamente o novo formato, alguns não querem ouvir/entender, enquanto outros podem até se mostrar desmotivados. O importante é chegar ao consenso de que a forma de trabalhar está mudando.

Por isso, para o sucesso da mudança, é necessário definir uma estratégia para comunicar adequadamente. É preciso ter senso de urgência, construir uma equipe de mudança, desenvolver a visão, comunicar muito, capacitar as pessoas, celebrar o sucesso, não desistir, para assim criar uma nova cultura.

“É preciso entender os conceitos . Implantar algo novo não é simplesmente mudar o mobiliário”

Marcos Azevedo, da Andrade Azevedo

Como ativar a produtividade Adriano Rosenthal, diretor de Operações Globais, e Cristiano Mantovani, gerente de Instalações, ambos da Pfizer, juntamente com Izabel Barros, Applied Research & Consulting da Steelcase, apresentaram o case Pfizer, mostrando como é possível ativar a produtividade e a inovação com ambientes de trabalho avançados. O segredo está no rompimento do velho espaço de trabalho, de forma organizada.

A cultura de inovação precisa partir da missão e valores da companhia e ser estendida a um conceito de espaço alternativo de trabalho, capaz de impactar o dia a dia das pessoas. “A performance não pode ser mais medida pelo modelo tradicional e sim pelo resultado que entregamos, independente de onde se esteja trabalhando”, incentiva Rosenthal. “Lá, os espaços são assinados para grupos; não há estações de trabalho pessoais. No entanto, isso não impede que o colaborador tenha um ambiente agradável e produtivo”, completa Mantovani.

Similar ao Agile, o conceito utilizado é o iSpace, que abrange quatro nomenclaturas de espaço: Focus, Collaboration, Social e Learn, tudo organizado para criar os tipos de padrões de comunicação que produzem inovação e engajamento. É como se existissem três endereços em um, uma vez que as estações de trabalho individuais que ocupavam 88% do espaço comportam os mesmos 92% de colaboradores, mas agora em espaços compartilhados. A redução da área de ocupação foi da ordem de 26%, além de 30% menos capital alocado e 35% de saving na operação, sem falar na maior integração das pessoas, que hoje trabalham juntas num único endereço.

Mas como atingir esses resultados? É fácil? Veja outras lições aprendidas:

1) O apoio da liderança é fundamental para promover comportamentos de aceitação e modelo;

2) Envolva gestão da mudança no início do projeto e as pessoas; acelere também a adoção;

3) Adapte as soluções para a cultura local, a fim de reduzir a resistência à mudança;

4) A mobilidade influencia fortemente toda a conectividade e interação do grupo;

5) Implantação de tecnologias: fundamental para a implementação da mobilidade.

“… não há estações de trabalho pessoais. No entanto, isso não impede que o colaborador tenha um ambiente agradável e produtivo.”

Cristiano Mantovani, da Pfizer

Vale mencionar ainda alguns dados da pesquisa realizada nos Estados Unidos, apresentados por Isabel Barros.

Segundo a arquiteta, o iSpace traz ganhos de produtividade de 1,2% e 85% de satisfação com o local de trabalho, podendo proporcionar também:

• 14,7% de aumento de colaboração e interação

• 22% de aumento na comunicação

• 5% de redução do ritmo perdido com distrações, o que significa 12 horas de produtividade

• 14% de melhorias no índice de atração, retenção e engajamento.

Mudando a mentalidade

Segundo a arquiteta Claudia Andrade, sócia do escritório Andrade e Azevedo, é preciso discutir a questão de que vivemos em espaços de trabalho anacrônicos. Quer dizer que as pessoas já trabalham dentro de uma nova dinâmica, mas que a mentalidade dos gestores e a legislação trabalhista ultrapassada ainda não avançaram na mesma proporção. “Se as tecnologias permitem a mobilidade e a atividade é de base intelectual, porque ainda precisamos nos locomover nesta cidade congestionada?”, questionou. “Cada vez mais, só faz sentido estar no escritório se a tarefa envolver processos complexos entre as equipes. Da mesma maneira, não podemos esquecer que o ser humano é um ser social, e que o ambiente precisa estimular o trabalho colaborativo”.

Ok, mas se hoje temos duas realidades, a física e a virtual, o desafio fica ainda maior ao lembrar que são três gerações (baby boomers, X e Y) trabalhando juntas. Elas têm perfis bem diferentes e tudo isso dá uma nova dimensão de como se deve pensar o ambiente de trabalho. A arquitetura é uma parte importante, mas não a única. É preciso levar em conta o processo/projeto de forma ampla, que envolve o board das empresas e os sponsors dos projetos (RH, TI e FM). E esses líderes precisam atuar nos três níveis: estratégico, tático e operacional.

Com base nisso, Claudia Andrade afirmou que as empresas brasileiras têm um grande potencial de ajuste pela frente em seus espaços de trabalho. Da mesma forma que os colaboradores precisam entender que ocupar esses novos espaços não significa perder uma mesa fixa e, sim, ganhar um escritório todo para ele. A gestão não é mais de layout, mas de pessoas. Aos líderes gestores desse processo, a sugestão é promover uma espécie de “anamnese organizacional”, que nada mais é do que destrinchar como a empresa está estruturada, para poder identificar as oportunidades do que pode ser corrigido, o que está bom, o que está ruim, analisar a dinâmica de uso dos espaços e o nível de mobilidade das pessoas.

No segundo dia de conferência, a hostess da Worktech 2013 foi a Dow Chemical, que recebeu os congressistas em seu escritório no edifício Diamond Tower, parte do complexo Rochaverá Corporate Towers. As boas-vindas foram dadas por Deborah Lacerda, da área de Facilities e Real Estate, e que recentemente incorporou a área de TI, passando a se chamar Workplace Services. À frente dos trabalhos estava Alexandre Teixeira, sócio fundador da eNovarum e profissional com larga experiência em Facilities e Real Estate em grandes companhias.

“A ideia dos temas de hoje é entender e conhecer um pouco mais o que está acontecendo no mundo. Para isso, lembro Charles Darwin: não é o mais forte quem sobrevive nem mais o inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças. O que veremos hoje é como a tecnologia interfere no dia a dia dos negócios, das famílias, das comunidades.Precisamos nos inspirar e trazer novas oportunidades para os ambientes de trabalho. Nosso papel é conectar e lembrar que a inovação vem do grupo”, abriu o presidente de mesa.

Para Clive Wilkinson, presidente e diretor de Design da Clive Wilkinson Architects, o espaço criativo é muitas vezes considerado uma forma de arte.

Mas, então, quais são as características essenciais dos espaços que conectam as pessoas e incentivam atividades criativas? Segundo ele, o que faz diferença entre uma companhia mal e bem-sucedida nesse sentido é a sua capacidade de utilizar as ferramentas virtuais e ao mesmo tempo conseguir trabalhar dentro de um plano colaborativo. A principal mudança do velho modelo de escritório para o novo é a inversão da porcentagem com que as pessoas trabalham em grupo (hoje 70%) – que depende de espaços mais heterogêneos, livres e com maior fluidez.

“O maior desafio está nas organizações em que as pessoas se sentem isoladas. É preciso melhorar a comunicação, inventar um modelo para que os silos se unam. As pessoas precisam se conectar; precisamos construir espaços de trabalho como uma cidade interconectada”, destaca Wilkinson.

O novo papel do arquiteto

Outra conclusão importante do encontro é o quanto a nova economia do conhecimento e a responsabilidade social mudaram a forma como são feitos os negócios. O sócio-diretor da Athié Wohnrath, Sérgio Athié mostrou a importância de a alta direção respeitar as culturas corporativas e capitalizar o custo de pessoas para criar escritórios de alto desempenho.

“O arquiteto assume um novo papel. Mais do que projetar, temos a função de parceiro estratégico”, ressaltou. É enxergar que a tecnologia traz mudanças e saber articular sustentabilidade, inovação, engajamento, estímulos à liderança, retenção de talentos, disseminação da marca corporativa e valorização do portfólio imobiliário. “É necessário projetar customizando as soluções para cada perfil de cliente, sempre apoiando a cultura e as metas da empresa”, sintetiza Athié.

“Já existe um sistema de inteligência (…) que consegue mostrar o que existe de disponível nos espaços (…) como sensores de mesas, que em tempo real apontam para a melhor utilização do espaço”

Tiago Angelo Alves , da Johnson Controls

Ambientes de trabalho sob a ótica de Real Estate

Anthony Selman, Head Transaction Management e Sérgio Mendes, Director of Project Management da Cushman & Wakefield, falaram do crescimento do Real Estate na América Latina, mostrando que grandes corporações multinacionais procuram espaço de escritório de alta qualidade e que a demanda em 2012 foi capaz de superar a oferta, com destaque para os melhores e os piores espaços na região da América Central para o sul da Argentina. Ambos delinearam as estratégias para gerenciamento de projetos no Brasil contra países de fora da América do Sul e os desafios inerentes à região. Para eles, representar bem o cliente, para uma demanda de espaço bem-sucedida, requer desenvolver um budget para escopo e cronograma corretos, verificando os riscos em todo o processo.

A sugestão é segmentar em:

• Initiating (desenvolvimento do programa)

• Planning (designs e engenharia)

• Executing (procurement)

• Monitoring (construção)

• Controlling (tecnologia,mobiliário e sistemas)

• Closing (projeto pronto e auditado)

Mas e se você fosse o CEO? Já pensou em exercitar essa experiência?

O convite foi de Fabio Roszczewski, Workplace Delivery Manager Americas LATAM da Cisco, que mostrou como o negócio na América Latina está crescendo rapidamente desde o primeiro escritório implantado em São Paulo, localidade que absorveu um crescimento de 1.650% de 1997 até o ano passado.

Para tal, foi preciso implementar ferramentas e tecnologias capazes de transformar o escritório no ambiente de mobilidade que existe hoje – flexível o suficiente para suportar tal crescimento, sem ou com pouco impacto no negócio. Segundo Roszczewski, na Cisco é forte o grau de confiança entre empregador e empregado. Lá não tem distinção de equipamentos (laptop) para funcionários nem dispositivo para controle de hora de trabalho. Outra iniciativa que existe é conhecida como: Paperless Initiative. Ou seja: não há espaço para guardar papel. “Mas isso é possível?” – muitos devem ter pensado durante a apresentação. Depende da cultura, da essência da empresa, afirmou o gerente. E tem dado muito certo. É só visitar o escritório e perceber que, apesar de ninguém ter mesa fixa de trabalho, ainda há 42% de vacância (global) das estações de trabalho.

Governança permeada pela tecnologia

Outro exemplo de companhia que abraçou a mobilidade em seus espaços de trabalho há bastante tempo é a Accenture. Desde 1998, ela utiliza o hoteling completo (onde ninguém tem sala). A tecnologia móvel é aplicada a uma força de trabalho de 257 mil profissionais no mundo, sendo 19 mil só no Brasil, e alcança três bases de gestão: real estate process, workplace design standard e operation & services standards. Milton Jungmann, Managing Director da Accenture Workplace Solutions, mostrou como este formato funciona.

Há um mix de opções que integra desde ambiente funcional e não hierárquico, trabalho remoto, escritórios virtuais até design e espaços de escritórios, sempre buscando onde o Real Estate e o Business podem chegar numa solução mais econômica. O objetivo é evitar viagens, alugar menos espaços fora do site e dispor cada vez mais das tecnologias disponíveis.

Participar de uma conferência virtual com o Cisco TelePresence, Microsoft Lync, Microsoft Roundtable (visão de 360 graus de quem está na sala), por exemplo, é tão real quanto estar na frente do seu interlocutor em uma reunião. Há ainda as Flexible Printings (impressoras no sistema web) – tudo com o foco de otimizar a estratégia com o capital gasto.

Desafios de um futuro bem próximo

Consultor, escritor e comentarista especializado em workplace, Philip Ross (CEO da Unwork), questionou se esse pedaço de madeira [referindo-se às estações de trabalho] significa tanto. Se na época dos nossos avós só conseguíamos desempenhar um bom trabalho atrás de uma mesa, hoje vivenciamos outras tantas experiências.

Segundo ele, nos próximos 10 anos, veremos a morte do telefone fixo e o desaparecimento do papel . Por outro lado, teremos como desafio a gestão do fluxo digital. Videoconferência, nuvem, conectividade serão os novos jargões do ambiente corporativo, cuja demanda é por maior segurança, confiabilidade.

Veja: a própria inteligência predial deveria estar na nuvem. Tiago Angelo Alves, diretor-executivo para a América do Sul – Global WorkPlace Solutions – da Johnson Controls, defende que as tecnologias permitem o acompanhamento on-line do dia a dia da operação dos equipamentos prediais. Mas que, no geral, as informações estão dispersas.

Porque, então, não colocar a inteligência predial na nuvem? De acordo com o executivo, as organizações ainda não aprenderam a tirar proveito da vantagem que têm em mãos. Os dados/informações estão escondidos nos sistemas. Já existe um sistema de inteligência desenvolvido pela JC que consegue mostrar o que existe de disponível nos espaços. Os dados serão a base para se pensar em aumentar pessoas ou reduzir espaços de trabalho, por exemplo. “Há opções para o workplace, como sensores de mesas, que em tempo real apontam para a melhor utilização do espaço.

Também há outros benefícios para a gestão da propriedade e dos espaços de trabalho”. Um case apresentado por ele mostrou como integrar 272 softwares em uma única plataforma, com indicadores consolidados sobre os espaços e edificações.

Para Philip Ross, a tecnologia emergente irá moldar a nossa forma de trabalhar, viver, aprender e desfrutar melhor os momentos de lazer. Por isso a necessidade de desenvolver um business case para novos estilos do trabalho. As pessoas precisam abrir mão da noção tradicional de trabalho e do escritório.

“É preciso beneficiar-se do uso das tecnologias para pensar em locais menores, com redução de custos de até 30%. E ainda oferecer algo mais alinhado ao estilo de performar do futuro”, resumiu.

A estratégia de TI também vai mudar

Cezar Taurion, New Technologies Manager/Technical Evangelist ISV & Developer Relations da IBM, defendeu como podemos aproveitar a inovação para transformar o negócio e alertou que as rápidas mudanças tecnológicas estão transformando o papel do Chief Information Officer (CIO) e da área de Tecnologia da Informação (TI). Já na próxima década, a área entregará resultados de negócios no lugar de resultados de TI. Para lidar com isso, o CIO terá de ser muito mais orientado para os negócios e alavancar inovações – assumir a posição de diretor de Inovação, caso contrário, a carreira de CIO irá acabar. A conclusão a que podemos chegar é que o mundo mudou realmente, e radicalmente.

A internet não se resume a computadores, mas tudo: a forma como vivemos e nos relacionamos na vida profissional e pessoal. Crianças entram no mundo on-line cada vez mais cedo. Pessoas usam a Internet como laboratório social, para testar limites de relacionamento. As coisas acontecem numa velocidade incrível, estamos cada vez mais conectados. O problema é que não nos dando conta disso. Afinal, a tecnologia é um produto invisível, o que não significa que ela não está ali, interferindo minuto a minuto nos acontecimentos e no resultados das empresas.

Valorizar ou matar uma marca é questão de tempo e de circunstância. Não há separação do mundo real para o virtual. Veja os fatores externos que impactarão as organizações nos próximos cinco anos: 71% serão por fatores tecnológicos (technology factors), 69% habilidades de pessoas (people skills) e 68% de mercado (market factors). “Para pensarmos em 2020, é preciso dar o primeiro passo hoje”, finalizou Taurion.

“… a área entregará resultados de negócios no lugar de resultados de TI. Para lidar com isso, o CIO terá de (…) assumir a posição de diretor de Inovação”

Cezar Taurion , da IBM

PostHeaderIcon Ambientes conectados com a modernidade.

Escritório-conceito Por Adriana Schio

Marelli transforma espaços administrativos da sua fábrica, na Serra Gaúcha, em um moderno escritório-conceito que privilegia a amplitude, a integração e o bem-estar.

Os ambientes de trabalho são, cada vez mais, reflexo do mundo dos negócios e das atividades que são realizadas no dia a dia das organizações. Espaços abertos, mais amplos, com mobiliário que permite fácil reconfiguração, cockpit offices para áreas que exigem concentração ou privacidade, salas para integração e contatos sociais e ambientes com qualidades terapêuticas e de descompressão fazem parte do cenário dos espaços corporativos atuais.

A entrada no mercado de trabalho da chamada geração Y, por natureza irrequieta, altamente tecnológica e multifuncional, é uma das grandes responsáveis pela mudança na dinâmica do trabalho e na forma de pensar e planejar os escritórios. As multitarefas cotidianas passaram a exigir espaços diferenciados, com condições de conforto e requerimentos funcionais e estéticos específicos.

Hoje, os escritórios são ambientes dinâmicos, de alta sinergia, propulsores de interação e produtividade – tal qual a vida moderna exige. Esses conceitos foram traduzidos na intervenção realizada na área administrativa da fábrica da Marelli, em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha.

O crescimento da empresa, que hoje é referência no segmento de mobiliário corporativo no Brasil e América Latina, o aumento do quadro funcional e as demandas crescentes do mercado levaram à ampliação do espaço físico. Aos atuais 975 m² foram acrescidos mais 630m², totalizando uma área de mais de 1,6 mil m², distribuídos em três pavimentos. Todo o parque fabril da Marelli conta com mais de 20 mil m² de área construída.

Solução

“Projetamos um ambiente de trabalho aberto, com áreas de integração, estar e espaços colaborativos, e salas fechadas para atividades mais reservadas.

Foi uma atualização de layout para deixar a empresa com uma linguagem mais contemporânea e, principalmente, atender às necessidades das pessoas”, pontua a arquiteta Claudia Andrade, da Andrade Azevedo Arquitetura Corporativa, escritório paulista responsável pelo projeto de interiores.

A intenção foi transformar os espaços em um moderno escritório-conceito – um escritório vivo para evidenciar a multifuncionalidade do mobiliário Marelli associada a modernos conceitos de arquitetura, design de interiores e sustentabilidade quando o assunto é ambientes de trabalho. Afinal, nada mais natural para quem mantém o olhar atento e o foco há 30 anos nesse segmento.

Claudia Andrade conta que, na definição do layout, discutiu-se bastante a questão do planejamento de ocupação dos grupos e os requerimentos funcionais e estéticos para cada área. Assim, o térreo foi ocupado pelos Recursos Humanos e áreas que atendem ao público externo.

Nesse pavimento também está um amplo showroom, projetado com ilhas acústicas ecophon para ser um ambiente conceitual de percepção dos valores e do branding da empresa. “Esse espaço deve proporcionar uma experiência sensorial, com o aroma da marca, visualização de materiais, cores e acabamentos, acesso facilitado e produtos, especialmente cadeiras, para tocar e experimentar”, explica a arquiteta.

No primeiro e segundo pisos foi disposto o staff de diversos setores: Comercial, Marketing, Financeiro, Compras e Tecnologia da Informação. O último pavimento traz, ainda, a sala da diretoria, uma ampla sala de reuniões e o auditório.

Um dos desafios do projeto, de acordo com a arquiteta, foi criar uma área de acesso interno para a engenharia, que até então somente podia ser acessada externamente pelas docas dos caminhões. Esse acesso permanece, mas agora o setor ganhou comunicação interna com o primeiro pavimento. Outro desafio foi, com a ampliação do prédio, integrar ao máximo a área nova à já existente. Um dos elementos usados para manter a uniformidade e a integração visual entre o espaço anterior e o novo é a escada, que já fazia parte do prédio. A parede cega da escada, que dividia o edifício da fábrica, ganhou permeabilidade visual. O layout também contribui para que as áreas fluam naturalmente.

A sustentabilidade, importante princípio da Marelli, norteou todo o projeto, desde a escolha dos materiais utilizados em atendimento aos requerimentos sustentáveis, até a preocupação com a eficiência energética para redução do consumo. As estações de trabalho foram posicionadas próximas às janelas, para aproveitamento da luminosidade natural, e todos os ambientes receberam persianas para filtrar o calor.

Além disso, os postos de trabalho têm iluminação individual, para maior eficiência luminotécnica, e o conforto térmico é assegurado pelo sistema de ar-condicionado hidrônico (com uso da água), com custo energético mais eficiente quando comparado ao convencional a gás. De acordo com o fornecedor, o investimento nesse sistema se paga em três anos de uso.

A cor é um elemento importante que pontua todo o projeto. Ela foi utilizada no carpete, que mescla dois tons de cinza com pontos de vermelho sólido (cor corporativa da Marelli), em adesivos de parede, nos divisores das estações de trabalho e para brincar e criar espaços lúdicos nas áreas de curta permanência, como ambientes de integração, descompressão e reuniões. “A proposta é, a partir da cor, tornar o ambiente mais jovem, alinhado com o cliente que está entrando no mercado e a Marelli quer atender”, destaca Claudia Andrade.

“O escritório-conceito da Marelli ganhou um ambiente mais despojado, com espaços mais generosos, linguagem mais contemporânea e maior integração entre as pessoas.”

Arquiteta Claudia Andrade, da Andrade Azevedo Arquitetura Corporativa

Ficha Técnica

Escritório-conceito Marelli

Local: Caxias do Sul – RS

Início do projeto: Dezembro de 2011

Conclusão da obra: Abril de 2013

Área de intervenção: 1605 m²

Perspectivas 3D: SP3D

Projeto: Andrade Azevedo

Arquitetura Corporativa

Autores do projeto de interiores

Arquiteta Claudia Andrade

Arquiteto Marcos Azevedo

Planejamento:

Coordenação de planejamento

Arquiteta Alessandra Galeazi

Equipe de planejamento

Designer de Interiores Aline Magalhães

Projeto:

Coordenação de projeto

Arquiteta Anete Liberman

Gerenciamento de projeto

Arquiteta Juliana C. Miranda

Equipe de projeto

Arquiteta Juliana C. Miranda

Designer de Interiores Elisa Abrahão Cathers

Execução: Fabris Franco Arquitetura

Fonte: Revista Ambiente Marelli – 30 Anos.

PostHeaderIcon Incubadora de Ideias – Casa Office 2012.

Em 2012, a 5ª edição do CASA OFFICE trouxe uma novidade. Com a curadoria de Claudia Andrade, o evento ocupou dois pavimentos do Cidade Jardim Corporate Center, empreendimento da Incorporadora JHSF localizado em um dos endereços mais nobres de São Paulo, onde também estão situados os nove prédios residenciais do Parque Cidade Jardim e o Shopping Cidade Jardim. “Escolhemos o local por ser o primeiro centro empresarial do país a integrar um complexo de uso misto de larga escala de altíssimo padrão. Nossa ideia é que o visitante se sinta em seu novo escritório e incorpore as tendências aqui apresentadas”, explica Angelo Derenze, presidente do Grupo CASA COR. Integração e sustentabilidade também pesaram na escolha do lugar, pois é o único edifício comercial AAA com certificação Aqua (Alta Qualidade Ambiental) no Brasil.

A mostra contou com dez ambientes sob o tema “O escritório do século XXI” criado por um seleto time de profissionais, entre eles o escritório Andrade Azevedo, que veio com uma proposta conceitual inovadora: uma Incubadora de Ideias.

‘As estruturas de polipropileno são um dos destaques do projeto.’

Lembram cápsulas espaciais as armações espalhadas no inovador projeto assinado pelo escritório Andrade Azevedo Arquitetura Corporativa. Distribuídas pela área de 185m², elas criam espaços para oferecer diferentes maneiras de concentração durante o trabalho e podem acolher maneiras de concentração durante o trabalho e podem acolher grupos ou profissionais isolados.

“Sobre uma base de cor cinza, colocamos tons vibrantes de azul, verde, laranja e vermelho, que ajudam a destacar os diversos ambientes criados”, contam Claudia Andrade e Marcos Azevedo.

A preocupação com a sustentabilidade e o uso de produtos com certificação Cradle to Cradle® (que consideram o consumo de energia e de água, o ciclo de vida dos materiais e a preocupação com a responsabilidade social em seu processo seletivo) também chamam a atenção no espaço.

Confira abaixo, a galeria de fotos do ambiente:

Fornecedores:

Sempre Engenharia (Elétrica e Instalações) / Jóia Móveis (Marcenaria) / Fort Corporativo (Cortinas) / Giroflex-Forma, Steelcase, Escinter, Hawort (Mobiliário) / Fernando Jaeger (Material Decorativo) / Blue Carpetes – Milliken (Carpetes) / Polibrás (Polipropileno) / Wallpaper (Papel de Parede) / Eucatex (Vinílico) / Omega Light (Luminárias) / Neo Design (Persianas) / SP3D (Perspectiva 3D) / TG AR (Remanejamento Ar Condicionado) / A.FAU (Remanejamento Forro) / Knauf AMF (Forro Modular) / Design On (Estrutura Metálica) / ABC Tókio (Equipamentos Audiovisual) / ANX Comunicação, Perfect Vision, Kojima (Comunicação Visual) / Rafael Rolim (Fotografia)

Fonte: Especial Casa Office 2012.

PostHeaderIcon Conhecendo o novo escritório da AES Brasil.

Quebra de Paradigmas

Por Érica Marcondes

Quatro imóveis em um. Novo escritório-sede da AES Brasil é exemplo de mudança corporativa com eficiência operacional, redução de custos e integração.

Presente no País, desde 1997, o Grupo AES Brasil é controlador da AES Eletropaulo, AES Sul, AES Tietê e AES Uruguaiana. Sua visão é ser a melhor concessionária de distribuição de energia elétrica do Brasil até 2016. Para isso, tem investido em manutenção, expansão e modernização do sistema diretamente ligado ao seu core business.

Mas não é só esta estratégia que deve direcionar os olhos do mercado para a companhia nos próximos meses. Recentemente, ela alçou novos voos “dentro de casa”, ao adotar um jeito novo de trabalhar. O modelo envolveu os quatros sites da empresa em São Paulo: unidades Brasiliana, Tabatinguera, Cambuci e 25 de Janeiro – assim chamados pelas suas respectivas localizações. Juntos, os 1.600 colaboradores passaram a ocupar um moderno edifício corporativo em Barueri/SP.

“O objetivo primordial era a centralização da empresa em um único endereço para padronizar as instalações com maior qualidade e conforto de seus funcionários e reforçar a imagem em relação às suas preocupações ambientais e de inovação”, conta Claudia Andrade, do escritório Andrade Azevedo, contratado para colocar em prática um novo conceito de ocupação corporativa.

“Apresentamos à AES a proposta do compartilhamento de estações de trabalho, otimização de armazenamento [de documentos] e um acréscimo significativo de espaços de reunião [100 no total] e de áreas colaborativas”, explica a arquiteta.

Para tanto, realizaram em conjunto com o cliente uma espécie de avaliação e diagnóstico do uso do espaço, através de entrevistas com os colaboradores e levantamentos capazes de moldar um ambiente mais ativo, com o máximo de aproveitamento das posições de trabalho. Afinal, nem todas as pessoas estão ou precisam estar todos os dias no escritório. A proporção de compartilhamento foi de 20%. Ou seja: para cada 100 pessoas, foram implantadas 80 posições.

Pés Aqui, Olhos no Horizonte

Outro fator determinante para a escolha do imóvel foi a capacidade de absorver um futuro crescimento, além de ser um agente agregador. “Quando uma empresa está toda integrada, fica mais fácil fortalecer o conceito de grupo. No nosso caso, as tomadas de decisão ficaram muito mais ágeis. Não temos mais deslocamentos, redefinimos contratos de serviços [limpeza, segurança, frota], além de estarmos em um site mais moderno, que requer menos manutenção”, comenta Marcos Ponce, diretor de Inovação e Serviços de Suporte da AES Brasil, que ainda lembra um benefício adicional: o provável ganho de receita com a futura desmobilização dos imóveis desocupados, que poderá ser aplicada em outros projetos.

Exemplos de usos compartilhados no 5º andar: cores vibrantes na área de café e trabalho colaborativo, e tons mais neutros nas áreas de reuniões e staff.

Responsável pelas áreas de Pesquisa & Desenvolvimento, Eficiência Energética, Real Estate, Frotas e Facilities, o executivo foi figura-chave como Diretor de Projeto: o elo entre o escritório de arquitetura, as áreas de negócios que interagiam para o sucesso do projeto (principalmente RH e Comunicação) e a empresa que forneceu a consultoria em Integração Estratégica e Gestão de Mudança, a eNovarum.

Transferência de Conhecimento

Segundo o consultor Alexandre Teixeira, o processo de mudança física, diferente do que a maioria das pessoas pensa, tem um impacto muito grande não só em Facilities, mas também em Finanças, Fiscal, Comunicação, Recursos Humanos, Segurança do Trabalho, TI, Compras, Jurídico, Sustentabilidade e por aí vai.  E é o “alinhamento dessas áreas que cria uma maior eficiência do projeto e mitigação de riscos futuros sem contar o dinheiro economizado”, enfatiza o diretor da eNovarum.

Outro ponto crucial, principalmente por se tratar de um projeto com novo conceito de layout, é “avaliar os contratos de trabalho para verificar se a proposta não fere algum item dos acordos”, explica Christophe Triplett, sócio de Teixeira na consultoria.

“O nosso papel é recomendar como o projeto pode ser desenvolvido, baseado nas melhores práticas vividas com outros clientes”, conta Triplett.

Em terceiro lugar vem a necessidade de engajar um grande número de pessoas e a liderança da empresa no projeto. Para isso, a equipe lançou mão de 80 embaixadores: profissionais escolhidos dentre as áreas da AES Brasil, que tiveram a função de representar todos os demais colaboradores. Através deles, foi possível equalizar as expectativas quanto às mudanças e dirimir dúvidas para, então, entrar no processo de Change Management, em que são usadas metodologias como treinamento dos funcionários, apresentações de políticas para uso do espaço e de redução do armazenamento.

“Conseguimos reduzir em 30% o armazenamento de papéis. Além dos ‘dias da limpeza’, da conscientização para imprimir somente o necessário e guardar menos papel, utilizamos o serviço de digitalização e guarda de documentos que está sendo feito por uma empresa especializada”, completa Marcos Ponce. Paralelamente, os colaboradores trocaram a lixeira individual por uma compartilhada e não mais possuem armários, e sim escaninhos para depositar seus materiais pessoais. É, definitivamente, uma nova mentalidade na forma de trabalhar.

Conhecendo o escritório

O projeto da AES Brasil teve início em setembro de 2011 e está previsto para ser concluído em novembro próximo. São aproximadamente 16.000 metros quadrados de área de carpete, distribuídos em sete andares-tipo mais duas lojas no térreo onde são alocados o espaço multiuso/auditório e a lanchonete (estes dois em fase de implantação).

As cores predominantes são as da empresa: o azul e o verde, que definiram, inclusive, os setores por andar, de acordo com o posicionamento de cada grupo. Ou seja, cada andar está dividido em duas alas, a verde e a azul. “O logotipo da empresa serviu de inspiração para a definição do partido do projeto e das praças de integração. No piso, o desenho do carpete também segue de forma estilizada o logotipo. Nas áreas internas de reunião e para trabalho colaborativo, aplicamos a cor laranja, vibrante, e que consta do palet de cores padrão da empresa”, detalha a arquiteta Claudia Andrade.

Segundo ela, o mobiliário também foi pensado para atender esse novo conceito de sustentabilidade e inovação. Simples mas funcional, eles aparecem em cores neutras no ambiente de trabalho, e mais vibrantes nos espaços colaborativos. Álias, o espaço do café é apontado por Marcos Ponce como o seu ambiente favorito. “Agradável, nos proporciona uma sensação de descontração. Volto para o trabalho energizado”, cita o diretor que também comenta sobre um moderno e emblemático Centro de Operações da AES Brasil, em fase de implantação no segundo andar.

“Com certeza, tivemos um grande ganho de eficiência como um todo”, comemora Ponce. Agora, é a hora de medir essa satisfação e dar andamento a outros projetos dentro da companhia, como estudar a possibilidade de levar este novo conceito a outras “praças” da AES. Além disso, definir a estrutura hoje mista da gestão das atividades terceirizadas. Estudar o modelo e decidir se vale a pena terceirizar mais para que a equipe interna possa se decidir mais à gestão dos indicadores. Vamos ficar de olho!

Mobiliário simples, mas funcional, ganhou tons neutros para maior conforto das pessoas. Abaixo: acesso para Sala da Presidência.


Antes de terminar, vale mencionar que, desenvolvido para ter a certificação americana LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), o projeto da AES é o primeiro case do uso dos novos conceitos de ocupação desenvolvido integralmente no Brasil e não adaptado a partir de um guideline da empresa lá fora. Portanto, de grande significado para o mercado, conforme nos contou a arquiteta Claudia Andrade.

Revista Infra Outsorcing & Workplace - Ano 14; nº47 – outubro de 2012.

PostHeaderIcon Giroflex-Forma lança nova linha de mobiliário corporativo em São Paulo.


Fotos: Flávio Teperman

Abrindo as portas da sua loja no Jardim América, em São Paulo, a Giroflex-Forma recebeu, na noite de 30 de maio, arquitetos, clientes, empresários e convidados para lançar sua nova linha de mobiliário corporativo Mobe e a cadeira giratória Fit.

As arquitetas Maria Rosário e Cláudia Andrade.

Para aliar flexibilidade e inovação ao design contemporâneo da nova linha Mobe, a empresa convidou o arquiteto e designer com reconhecimento internacional, Tomás Berlanga, para realizar o desenho do mobiliário. Em sua terceira linha para a marca, Berlanga afirmou que “o Mobe propõe um novo conceito de freestanding, com um eixo central de onde se desenvolve a temática da linha”. Fácil de instalar, apenas 30 minutos e um módulo para quatro pessoas fica pronto, a nova linha garante mais liberdade e autonomia no ambiente de trabalho, além de ter um valor acessível quando comparada com outras linhas similares da companhia.

“A gente queria um produto diferente, que fosse flexível, acessível e inovador”, explica Sérgio Saraiva, presidente da marca. E continua: “Tomás trouxe uma ideia que é mais ou menos a possibilidade de ter um lego, onde a partir de uma estrutura pode-se combinar vários formatos de mesa. Tomás já fez outros trabalhos pra gente e eles foram vencedores no passado, ele é um dos nossos preferidos”.

Líder brasileira no mercado de móveis, assentos e soluções para espaços de trabalho, Saraiva informou que a Giroflex-Forma pretende lançar, a partir de agora, uma novidade de sua produção própria a cada semestre.

Veja, abaixo algumas fotos do evento:

Fonte: ARQ!BACANA

PostHeaderIcon O Escritório no Século XXI

Novos conceitos de ocupação dos espaços físicos para atender à nova dinâmica de trabalho e, também, à chamada geração Y.

Claudia Andrade é doutora pela FAU-USP; Conselheira da ABRAFAC; Sócia da Andrade Azevedo Arquitetura Corporativa, Professora do curso de Design de Interiores da Faculdade Belas Artes; Professora Colaboradora do MBA de Gerenciamento de Facilidades da Escola Politécnica da USP; Co-autora do livro “Facilities Change Management”; Autora de “ A História do Ambiente de Trabalho em Edifícios de Escritórios: um século de transformações” e Membro do conselho editorial da revista Facilities, da Inglaterra, publicação oficial do Euro FM.

O surgimento da tecnologia da informação e a velocidade com que ela foi melhorando os processos, reduzindo etapas e criando novas tarefas, deu início a uma mudança na dinâmica das atividades de trabalho, nos ambientes de escritório.

Hoje, já podemos dizer que as pessoas trabalham a qualquer momento, em qualquer situação e em qualquer lugar. A tecnologia permite isso e, portanto, a necessidade de espaços físicos vem se tornando um aspecto muito mais relacionado à cultura da organização, à forma como as pessoas enxergam essa questão e ao status que esse espaço representa. Em outras palavras, o ambiente de trabalho está passando por profundas transformações.

Para Claudia Andrade, estamos vivendo o segundo momento mais importante de transformação no ambiente corporativo. “Se olharmos a história da evolução do ambiente de trabalho, podemos dizer que o primeiro grande momento de transformação ocorreu no século XX, com a expansão do setor de serviços e o surgimento das grandes corporações. O segundo é o atual, que teve início, no Brasil, na segunda metade da década de 1990, quando as empresas começaram a investir em automação”, disse.

Estudos apresentados pela palestrante demonstraram que não foi só a dinâmica de trabalho que mudou, mas também a utilização do espaço físico. Prova disso é que, em 1995, as pessoas passavam a maior parte do tempo em suas estações de trabalho, 15% dele com um colega e menos de 20% em atividades que demandavam algum movimento dentro do próprio ambiente corporativo.

Dez anos depois, já se verificava uma redução do tempo nas estações e aumento no tempo despendido em salas de reuniões, trabalhando com colegas e até mesmo, fora da empresa. Cada vez mais, as atividades dentro da organização são colaborativas, de base intelectual e mostram mobilidade.

Pensando em um mercado cada vez mais global, que exige mais agilidade e flexibilidade das empresas para que ganhem diferencial competitivo, é possível afirmar que ainda temos muitos layouts anacrônicos. Os ambientes de trabalho ainda são abertos, extremamente densos, ruidosos e não dão opções para que as pessoas possam realizar suas atividades em ambientes que suportam as mudanças.

“O ser humano é social e não tenho dúvidas de que precisamos do escritório, do espaço físico. No entanto, temos que entender de que forma esse espaço vai suportar as atividades e como torná-lo um ambiente instigante, agradável, que ajude no contato social e que funcione para alavancar o trabalho colaborativo, nesses processos cada vez mais complexos”, destacou Claudia, ressaltando a importância do layout acompanhar as mudanças.

A arquiteta destacou que, pela primeira vez na história, teremos uma geração que já nasceu plugada na internet comandando as empresas e acrescentou que “hoje, a chamada geração Y já é 50% da mão de obra mundial e devemos projetar para ela, ou seja, multitarefas, que dominam a tecnologia. Se as empresas querem reter talentos, terão que criar ambientes de trabalho que falem com essa geração, que faça sentido para ela”.

Além de ilustrar sua palestra com os diferentes tipos de ambientes que devem fazer parte de um planejamento para ambientes de trabalho (estações abertas, hot desk enclosed, box, salas para reuniões de todos os portes, etc.), Claudia pontuou que as empresas não se guiam mais por controle, mas sim por resultados e que nenhuma delas existe sem três tipos de recursos: RH – gestão de pessoas; Recursos Tecnológicos – ferramentas e processos e Recursos Físicos – área de facilities, de infraestrutura.

Por fim, elencou para os participantes os pontos mais importantes para o escritório do século XXI:

  1. Aumentar a produtividade, estimulando as pessoas e fazendo com que se sintam importantes para a empresa;
  2. Reduzir custos e cortar os desnecessários;
  3. Tornar a empresa mais flexível, encorajando a interação entre as pessoas;
  4. Suportar as mudanças, através de treinamento e alterando a gestão das pessoas;
  5. Reduzir impactos ambientais.

Fonte:ABRAFAC Workshops – Tendências para ambientes corporativos de escritórios.